terça-feira, 10 de novembro de 2009

labirinto entre três poemas


No habrá nunca una puerta. Estás adentro
Y el alcázar abarca el universo
Y no tiene ni anverso ni reverso
Ni externo muro ni secreto centro.



Em um dia do homem estão os dias
do tempo, desde aquele inconcebível
dia inicial do tempo, em que um terrível
Deus prefixou os dias e as agonias.
Sei que na sombra há Outro, cuja sorte
é esgotar as longas saudades
que tecem e destecem este Hades,
é desejar meu sangue e devorar minha morte.

(Não esperes que o rigor de teu caminho
que persistente se bifurca em outro
terá fim. É de ferro o teu destino
como o teu juiz. Não aguardes a investida
do touro que é um homem e cuja estranha
forma plural dá horror à teia
de interminável pedra entretecida.)

Não existe. Nada esperes. 
Nós dois nos buscamos. Oxalá fosse
Este o último dia de espera.

Não haverá nunca uma porta. Estás dentro.

– Dá-me, Senhor, coragem e alegria
            Para escalar o cume deste dia.



En un día del hombre están los días
del tiempo, desde aquel inconcebible
día inicial del tiempo, en que un terrible
Dios prefijó los días y agonias
(...)
Dame, Señor, coraje y alegría
para escalar la cumbre de este día.

Sé que en la sombra hay Otro, cuya suerte
es fatigar las largas soledades
que tejen y destejen este Hades
y ansiar mi sangre y devorar mi muerte.
Nos buscamos los dos. Ojalá fuera
éste el último día de la espera.

No esperes que el rigor de tu camino
Que tercamente se bifurca en otro,
Tendrá fin. Es de hierro tu destino
Como tu juez. No aguardes la embestida
Del toro que es un hombre y cuya extraña
Forma plural da horror a la maraña
De interminable piedra entretejida.
No existe. Nada esperes. Ni siquiera
En el negro crepúsculo a fiera.


[BORGES, "james joyce" / "o labirinto" / "labirinto" ]

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