sábado, 13 de junho de 2009

prosa

Você não me faz mais falta do que
Aqueles que eu não conheço agora
Órfico você se tornou Eu lancei
Desmembrada sua ausência pelos vales
Você me transformou em hóspede Eu sei
Ou invento.

Tu ne me manques pas plus que ceux
Que je ne connais pas maintenant
Orphique tu l'es devenu J'ai jeté
Ton absence démembrée en plusieurs vals
Tu m'as changé en hôte Je sais
Ou j'invente.

[DEGUY, "Prose"]

sexta-feira, 27 de março de 2009

alguma teoria

Um ideal de tradução único e universalmente válido é uma contradictio in adiecto, pois uma invariação ótima genérica e abstrata é tão pouco admissível para o traduzir quanto um optimum genérico é para o falar. O traduzir é análogo antes de mais nada ao falar; por isso, para o traduzir, como para o falar, só têm vigência normas diferenciadas e motivadas em sentido finalista. Pela mesma razão, a “melhor tradução” absoluta de um texto qualquer simplesmente não existe: só pode existir a melhor tradução de tal texto para estes e aqueles destinatários, para estes e aqueles fins e nesta e naquela situação histórica.

[COSERIU, 1982: 171]

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

alguma poesia

O verso é minha consolação.
O verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua, cachaça.
Para traduzir, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres,
folha de taioba, pouco importa: tudo serve.

é sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de.

[x x x]

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

o mundo em grego antigo.

Com os de doze, o cume da diversão
Há ainda os de treze, deliciosos
2 x 7 mais doce que a flor de Eros
3 x 5 tanto mais charmosos
Divinos os de 16. E que não me procurem
Os de 17, mas sim a Zeus.
Com os mais velhos não se brinca,
Que leva de volta.


¢kmÍ dwdekštouj ™pitšrpomai: œsti dš toÚtou

cç triskaidekšthj poulÝ poqeinÒteroj:

Cç t¦ dˆj ˜pt¦ nšmwn glukerèteron ¥nqoj Erètwn:

terpnÒteroj d' Ð tr…thj pent£doj ¢rcÒmenoj:

™xepikaidškaton dš qeîn œtoj: ˜bdÒmaton dš

kaˆ dškaton zete‹n oÚk ™mÒn, ¢ll¦ DiÒj.

E„ d' ™pˆ presbutšrouj tij œcei pÒqon, oÙkšti pa…zei,

¢ll' ½dh zhte‹ - tÕn d' ¢pameibÒmenoj -

[ESTRATÃO, "4"]